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Jogando no Linux - O Guia Final (Ou quase) PDF Imprimir E-mail
(21 votes)
Por Cav3ira   
12 de julho de 2007

Jogando no Linux - O Guia Final (Ou quase)
Autor: Emerson Gomes ( Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo )
Última atualização: 05 de Julho de 2006


Com medo de migrar para o Linux por falta de jogos?
Mantendo dual boot com aquele outro sistema só porque aquele jogo massa não roda?
 
Seus problemas acabaram!
 
Saiba como ter uma poderosa plataforma de jogos sem precisar de dual boot.

Demonstrarei 5 abordagens diferentes para ter seu jogo funcionando no Linux - Custe o que custar! (Na maioria das vezes não custa nada, felizmente!)

Se você é novato no Linux, siga cuidadosamente cada um dos passos descritos aqui, ou então mataremos um gatinho (Sim, estou falando sério).


Índice:
 

  1. Introdução
  2. Requerimentos de Hardware
  3. Configuração do vídeo 3D
  4. Descobrindo o melhor método para o (insira o nome de seu jogo predileto aqui)
  5. Método 1 - Executando Nativamente
  6. Método 2 - Cedega
  7. Método 3 - Wine
  8. Método 4 - VMWare
  9. Método(?) 5 - Demais Alternativas
  10. Considerações Finais


1. Introdução

Há muito tempo, jogos tem sido o principal obstáculo para a migração de usuários do sistema das janelas para o Linux. Apesar de sempre existirem bons títulos GPL "substitutos" de jogos comerciais para Linux, os jogos populares sempre fizeram mais sucesso por... bom, serem populares. E infelizmente a grande maioria desses jogos é voltado para o público... popular, ou seja, usuários do Windows.


Contudo, algumas boas iniciativas surgiram e estão começando a mudar o cenário em geral de que Linux é uma péssima plataforma para Video-Games.

Pretende-se abordar nesse tutorial os diferentes métodos existentes de rodar jogos para Windows no Linux, abolindo enfim a velha desculpa do dual boot. (E licenciamento, e vírus, e spyware, e etc.)

Antes de tudo, esteja ciente de que não existe mágica ou solução perfeita.  Cada método tem suas vantagens e desvantagens. O meu intuito é mostrar alternativas.

Bom, mãos à obra.
 


2. Requerimentos de Hardware

 
Um computador rodando Linux. (!)

Uma placa de vídeo com chipset NVidia* ou, se não tiver outro jeito, ATI.

emais requerimentos como CPU e RAM são específicos de cada jogos, e geralmente não são muito maiores do que os mesmos requerimentos para Windows. Em alguns casos, eles são até menores!
 

Se você é o feliz proprietário de uma placa de vídeo GeForce, ou qualquer outra placa com chipset Nvidia, parabéns! Essa é a única empresa que disponibiliza até o momento drivers 3D decentes para Linux. Se você tem uma ATI, nem tudo está perdido; a empresa disponibiliza drivers para Linux também, mas esses deixam a desejar em relação aos drivers para Windows. Se tudo o que você possui é uma plaquinha onboard SiS, Via ou outras genéricas, pode parar de ler esse documento e desistir de toda a esperança, a não ser que você tente se aventurar em magia negra para conseguir desempenho 3D aceitável nas mesmas, ou ainda, largar a mão de ser muquirana e comprar uma placa NVidia. (Com os 800 reais que você vai economizar com a licença do Windows, acredite, dá pra comprar uma senhora placa NVidia!)


Recentemente a Intel anunciou a abertura de seus drivers para Linux, portanto, você, dono de uma placa de vídeo com chipset Intel também tem alguma esperança!


 3.  Configurando o Vídeo 3D

 
A primeira coisa a ser feita é ter certeza que o seu ambiente 3D OpenGL no Linux está funcionando adequadamente. Trocando em miúdos, quer dizer que precisamos verificar se você tem o driver de vídeo corretamente instalado.

Como foi mencionado anteriormente, o ideal é ter uma placa de vídeo que seja completamente suportada no Linux, como as NVidia. (Leia o adendo 1 na seção de requerimentos para detalhes)

Não vou entrar em detalhes sobre como instalar os drivers propriamente ditos, mas é um processo relativamente simples e que você mesmo pode resolver com um pouco de Google ;)

Basicamente o que vamos fazer é utilizar o utilitário glxgears para verificar a quantas anda o seu ambiente 3D. Feche todos os programas que possam estar "comendo sua cpu", abra um terminal e execute glxgears:
 
Você deverá obter uma tela como essa:

Enquanto a animação 3D de três engrenagens é executada, no terminal será informado qual a taxa de quadros por segundo a placa de vídeo está obtendo. Um valor aceitável para prosseguirmos é algo acima de 1000 FPS, para uma Geforce 5200 por exemplo. Basicamente, quanto mais alto esse valor, melhor. Se você estiver tendo um valor muito baixo, ou você não tem os drivers proprietários instalados ou sua placa de vídeo não é suportada.

É MUITO IMPORTANTE que você utilize os drivers proprietários da NVidia ou ATI, uma vez que os drivers que vem por padrão com as distribuições Linux são bons apenas para trabalhos 2D, mas deixam muito a desejar quando o assunto é 3D.


Resumindo, prossiga apenas se conseguiu ter acima de 1000 FPSs, caso contrário, recomece a leitura do documento e tente novamente (ou prossiga por conta e risco) :)


 4. Descobrindo o melhor método para o (insira o nome de seu jogo predileto aqui).

Vou abordar a seguir diferentes métodos para se jogar no Linux. Alguns desses funcionam melhor com o jogo X, outros funcionam melhor para o jogo Y. Infelizmente essas conclusões são concebidas através da boa e velha tática de tentativa-e-erro, que costuma consumir uma boa quantidade de tempo (e cafeína, e noites em claro, e olheiras no serviço no dia seguinte, em alguns casos).

Para tentar simplificar um pouco, pretendo disponibilizar um banco de dados com instruções detalhadas para títulos específicos. Caso você não encontre o título desejado, fica automaticamente convidado a testa-lo e inserir os resultados de seus experimentos.

MAS, ele ainda não está pronto. Verifique novamente no próximo Outono (talvez um pouco antes).


 5. Método 1 - Executando Nativamente.

Sem dúvida o melhor método para executar jogos no Linux é tendo os binários nativos.O que a maioria das pessoas desconhece é que existe uma boa quantidade de títulos comerciais para Windows que também possuem versões nativas para Linux, inclusive alguns títulos relativamente recentes com o Doom 3 e o Quake 4 . Na maior parte das vezes você irá precisar apenas dos Data Files do CD Original e utilizar os binários lançados a parte.

A ID Software é uma das empresas que respeitam os Linux Gamers e quase sempre lançam versões para Linux de seus títulos blockbusters de games Windows. Compre os jogos deles.

 
Lembrando-se que o Google é seu amigo, tenha certeza absoluta de que o título que você quer jogar não possua uma versão nativa para Linux antes de tentar os outros métodos.
 
Alguns lugares que podem ser interessantes visitar:
Jogos4Linux.com - Um blog cujo objetivo é listar, descrever e comentar o maior número possível de jogos para o sistema operacional GNU/Linux.
Loki Games - Realizou o port de vários títulos bem conhecidos para Linux. Infelizmente encerrou suas atividades recentemente.
Loki Installers - Conjunto de instaladores de jogos populares para Linux.
Linux Strangegamer - Lista de alguns jogos conhecidos que rodam nativamente no Linux.

 

 

Avaliação Geral:

Vantagens:

  • Ao se rodar um jogo nativamente, você garante o desempenho máximo e evita problemas durante a execução do jogo (que podem acontecer com outros métodos).

Desvantagens:

  • O número de títulos comerciais disponíveis para Linux não é muito grande, portanto pode ser inviável depender exclusivamente desse método.

6. Método 2 - Cedega

Possivelmente o primeiro nome que um leigo ouve ao tentar saber sobre jogos no Linux é o Cedega. Escolhi ele como 2º melhor método de rodar jogos no Linux devido ao bom suporte que tem a títulos populares, além de prover uma interface amigável para o usuário leigo. Basicamente ele é um fork do Wine , portando também tem algumas de suas limitações. Você não precisa ter o Windows instalado, nem mesmo possuir uma licença de uso do mesmo para utiliza-lo.

O Cedega é na verdade um serviço de assinatura mantido pela Transgaming, onde os assinantes recebem suporte técnico para rodar jogos no Linux, e podem inclusive solicitar que novos títulos venham a ser suportados em versões futuras. O mais interessante é que o desenvolvimento dele é focado absolutamente no suporte a jogos, principalmente títulos recentes com o Civilization 4 ou o Fifa 2006, por exemplo. Uma lista oficial de jogos suportados é provida, e de fato, esses títulos funcionam perfeitamente, contudo, podem precisar de alguns truques durante a instalação. O Readme de cada versão menciona-os detalhadamente, portanto, nunca deixe de lê-lo. Demais títulos podem ser testados sem garantias de funcionamento.

 Instalando o Cedega:

Você irá precisar do Cedega GUI e do Cedega Engine. Faça o download* dos mesmos abaixo, utilizando a versão apropriada para sua distribuição:
 

Cedega GUI 
  • para SuSE
    • Instalar com o comando: rpm -Uvh cedega*.rpm




 
Cedega Engine

* AVISO MORAL: O Cedega não é um software completamente gratuito. Boa parte dele foi baseado (leia: chupinhado) do Wine. Apesar de ter seu código fonte disponível para download , permitindo que você possa legalmente baixar e compilar seu próprio Cedega sem nenhum tipo de cobrança, entende-se que é um processo muito complicado para um usuário leigo compilar e instalar sua própria cópia. Os pacotes RPM, DEB e outros de fácil instalação só estão disponíveis para os usuários que compram uma assinatura de uso de (atualização e suporte) do Cedega. O link acima é para arquivos não autorizados. Apesar de não serem ilegais (O Cedega ainda é licenciado pela GPL, ou ao menos a maior parte dele [existem alguns problemas com dispositivos de proteção de cópia]), pode ter lá seus aspectos morais contraditórios, uma vez que o projeto Cedega depende financeiramente das assinaturas vendidas. Se ele resolver seus problemas, seja um assinante.

 Executando o Cedega:

Instale primeiramente apenas o pacote GUI e então execute o Cedega. Deverá ter sido criado um link para ele em seu Menu ou Desktop, caso contrário execute no terminal o comando "cedega". Se houver algum problema nessa fase, onde o Cedega reclame de alguma lib python faltando, tente instalar a versão com todas as libs inclusas. (As versões acima são as básicas [cedega-small], menores e sem diferenças no funcionamento final, mas não incluem algumas bibliotecas necessárias em alguns sistemas.)

Após o setup inicial, aceitação da licença e etc, você deverá então deparar com a seguinte tela:
 
Está é a GUI do Cedega, ponto de início para a instalação e execução dos seus jogos.

O próximo passo é instalar a Engine, antes de tentar instalar algum jogo.

Vá até o Menu Transgaming, Install Local Update e então selecione o arquivo da Engine recém baixado.

Pronto! Agora seu Cedega está pronto para funcionar.

Vamos agora instalar nosso primeiro jogo:

Clique no botão Install, informe o nome do jogo bem como a localização do programa de instalação (Setup) do mesmo.

Complete a instalação do jogo normalmente.

Após isso, os atalhos para iniciar o jogo deverão estar no menu do Cedega.

Basta seleciona-los e clicar em Play.

Nota: Alguns títulos, como o Counter Strike instalam e rodam out-of-the-box, ou seja, sem a necessidade de ajustes na instalação. Contudo, vários outros necessitam de instruções de instalação personalizadas, como acontece com o Civilization IV. Sempre consulte as notas de lançamento do Cedega para obte-las.

Avaliação Geral:

Vantagens:

  • Aumenta consideravelmente o leque de jogos que podem executados no Linux, principalmente no que se refere à títulos extremamente populares (como o Counter Strike, Warcraft, Battlefield 1942, Need for Speed, entre outros), com uma instalação geralmente tão simples quando a dos próprios títulos no Windows.
  • Possui desenvolvimento voltado exclusivamente para jogos.
  • Desobriga o jogador a ter uma licença do Windows. (Mas não a do jogo em si.)
  • Possui suporte oficial para os assinantes do serviço.

Desvantagens:

  • Nem sempre a execução dos jogos ocorre de maneira perfeita. Salvo os títulos oficialmente suportados, problemas com o vídeo, som, e crashs inesperados podem e costumam ocorrer.
  • Pode ser necessário o uso de cracks para a execução de alguns jogos. O uso de cracks geralmente não é ilegal uma vez que você possua o jogo original.
  • Não é um software gratuito, ao menos para quem não queira se dar ao trabalho de compila-lo a partir do CVS.

7. Método 3 - Wine

O Wine é um projeto de implementação das APIs Win32 em sistemas Posix (Linux, FreeBSD, Solaris, etc). Já tem pouco mais de 10 anos e é possivelmente o um dos maiores programas Beta da história (a última versão até o momento em que escrevo, é a 0.9.16). Geralmente é chamado erroneamente de emulador, apesar de não ser um, como implica o próprio nome: Wine Is Not an Emulator.

O projeto encontra enormes dificuldades por ser uma implementação feita praticamente às cegas (devido à falta de documentação da Microsoft sobre a API Win32), tendo seu  desenvolvimento baseado em tentativa e erro, e o pior de tudo, precisando simular os mesmos bugs existentes no Windows para que as aplicações funcionem "bem". Felizmente, o código se encontra bastante maduro atualmente, e a parte que mais nos interessa (Direct 3D) funciona muito bem para alguns títulos.

Ele é um programa 100% gratuito, mas o seu foco está em rodar qualquer aplicativo Windows no Linux, não apenas jogos, diferente do Cedega, seu primo. Primo esse aliás que a cada dia se afasta mais do outro. Como resultado, acabamos tendo jogos que só funcionam no Cedega (Exemplo clássico: Civilization 4) e outros jogos que só funcionam no Wine (Exemplo clássico: Age of Mythology).

O Wine costuma ter uma nova versão a cada 2 ou 3 semanas, e cada versão nova é uma caixinha de surpresas. (Não necessariamente boas). Você pode acabar descobrindo que aquele jogo passou a funcionar na última versão, ou que ele deixou de funcionar na última versão.  De qualquer forma, é sempre recomendável testar primeiramente com a última versão disponível (ou com a versão do CVS quando possível).

Um lugar de visita obrigatório para quem pretende usar o Wine para rodar seus jogos (ou mesmo programas Windows) é o Wine AppDB . Nele, os usuários do Wine avaliam o quão bem um determinado programa roda em uma determinada versão do Wine, e fornecer dicas preciosas para a instalação desses programas. (Por exemplo, você irá descobrir que o Age of Mythology até o momento só funciona com a versão 0.9.13, apesar da versão 0.9.16 ter sido lançada. Para sua instalação, a cópia de um arquivo .dll do CD para o HD é obrigatória).

Instalando o Wine:

Faça o download dele ou siga as instruções de instalação específicas de sua distribuição contidas em http://www.winehq.com/site/download.

Como exemplo, para instalar o Wine em um sistema baseado em RPM, basta fazer o download do arquivo RPM do site e instalar com rpm -Uvh wine*.rpm.

Felizmente o Wine não possui dependências externas complicadas e deve funcionar logo de cara em qualquer distribuição Linux moderna.

Nota para usuários de distribuições baseadas em Debian (Ubuntu, Kurumin, etc):  Infelizmente o apt gosta de achar pêlo em ovo quando a lista de repositórios não está bem configurada e pode reportar algumas dependências malucas que não existem na verdade. E ele também pode dar preferência a versões anteriores do Wine que constam do repositório do Debian ao invés do repositório do próprio Wine. Isso incitaria mais uma flame war do porque eu odeio o apt, mas vamos deixar para outra ocasião :) A melhor coisa a se fazer nesse caso é puxar o deb diretamente do site do Wine e instalar na mão com dpkg -i wine*.deb.

 Executando o Wine:

Após a instalação, você pode verificar se ela ocorreu bem e de quebra, configurar alguns parâmetros necessários para o Wine executando o comando "winecfg" em um terminal ou no menu Executar.

O Wine não possui uma interface tão intuitiva quanto o Cedega, portanto, você pode ter que precisar sujar as mãos um pouco :)

No tela do winecfg podemos ajustar quais serão as unidades de drives virtuais que os programas Windows vão enxergar (não esqueça que Linux não tem drive!), bem como outros parâmetros mais técnicos.

Inicialmente, não é realmente necessária qualquer alteração dos parâmetros do winecfg, porém, alguns jogos REQUEREM que certas configurações específicas sejam feitas aí. (Mais uma vez lembrando que você pode consulta-las no Wine AppDB).

Em geral, para utilizar o Wine, basta executar em um terminal: "wine arquivo.exe", onde "arquivo.exe" é o nome do programa Windows que você deseja rodar. Se você não gosta de terminais, pode, alternativamente, associar os arquivos com extensão .EXE em seu navegador de arquivos ao programa Wine. Dessa forma ao clicar sobre um arquivo .exe, ele será executado imediatamente, assim como ocorre no Windows. Contudo, dessa forma, valiosa informação de debug que o Wine joga no terminal será perdida, tornando mais difícil resolver algum problema no meio do caminho.

Para instalar um jogo, geralmente basta executar seu arquivo de instalação (e torcer para que tudo corra bem).

Diferentemente do Cedega, o Wine utiliza apenas um drive C: virtual para todos os programas instalados, sejam eles jogos ou aplicativos. (O Cedega cria um drive C: virtual para cada jogo).

Esse drive C: fica por padrão armazenado em ~/.wine/drive_c.  Na maioria das vezes, o próprio Wine cria atalhos na área de trabalho ou menu K, convertendo o atalho que o programa criaria no Windows. Se por ventura ele não criar o atalho, vc pode navegar na pasta mencionada acima para localizar o programa ou jogo recém instalado.

Para criar um atalho manualmente, utilize a linha de comando indicando o Path relativo ao drive virtual e não relativo ao sistema de arquivos do Linux. Por exemplo:

wine "c:\arquivos de programas\Jogo\Arquivo.exe"

ao invés de

wine "/home/emerson/.wine/drive_c/Arquivos de Programas/Jogo/Arquivo.exe"

Você poderá notar que essa segunda forma funciona também na maioria das vezes, mas alguns jogos (Como o Dungeon Keeper) irão se confundir com esse parâmetro e não irão executar - na dúvida, não arrisque.

Em geral, consegue-se melhores resultados com o Wine para jogos que o Cedega não oferece suporte, do que com o próprio Cedega. Claro, isso a custa de muitas experimentações, no melhor estilo tentativa e erro. Alguma dicas que podem ser experimentadas no caso de um jogo específico não funcionar (e tudo o que estiver listado no Wine AppDB falhar) é tentar trocar as configurações de modo de tela (de 32 para 16 bits, por exemplo), configurações específicas do Wine contidas no Winecfg, como o plugin de som (Alsa ou OSS), suporte a Vertex Shader e outras. O Wine por si só contém miríades de pequenos detalhes técnicos que podem ser configurados na mão, é assunto para outro tutorial :)

Avaliação Geral:

Vantagens:  

  • Costuma ter melhores resultados na execução de jogos que não são suportados oficialmente pelo Cedega.
  • Desobriga o jogador a ter uma licença do Windows (mas não a do jogo em si).
  • É totalmente licenciado pela GPL.
  • Possui desenvolvimento muito ativo, com novas versões sendo lançadas em média quinzenalmente.
  • Executa também aplicativos Windows, com uma precisão bem mais elevada do que o Cedega.

Desvantagens:

  • Nem sempre a execução dos jogos ocorre de maneira perfeita. Salvo os títulos exaustivamente testados, problemas com o vídeo, som, e crashs inesperados podem e costumam ocorrer.
  • Obriga a utilização de cracks para a execução de jogos que possuem proteções contra cópia (o uso de cracks geralmente não é ilegal uma vez que você possua o jogo original).
  • Não possui uma interface muito amigável para instalação e execução de jogos, como o Cedega.

8. Método 4 - VMWare

O VMWare é o único dos métodos abordados que se utiliza de emulação propriamente dita. Justamente por isso tende ser o mais custoso no que se refere à requisitos de hardware. Deve ser encarado como um "Último recurso", para ser utilizado unicamente quando tudo mais der terrivelmente errado :)

Para quem não conhece, o VMWare emula um PC dentro de um PC, tornando assim possível executar um sistema operacional dentro de outro (como o Windows dentro do Linux ou vice-versa).

Para os gamers, a idéia é possuir uma instalação do Windows "enjaulada" em uma máquina VMWare, sendo assim utilizado apenas para jogos, sem a necessidade de manter dual boot e resetar o micro toda vez que se prentende jogar algo. O Windows não vai ter acesso direto ao seu hardware (a não ser que você explicitamente configure o VMWare para tal), portanto, também somem as infecções por vírus e spyware na sua instalação Windows (Desde que você o use exclusivamente para jogar, obviamente).

Dessa forma, ele irá obrigatoriamente rodar TODOS os jogos que não necessitem de aceleração 3D (que tal Paciência?), bem como todos os jogos 3D que não possuam requisitos exagerados de hardware de vídeo, e essa é sua grande vantagem sobre os métodos anteriores. Contudo, prepare-se para ter uma BOA quantidade de RAM disponível para tal proeza (512MB é o mínimo aceitável, acima de 1GB é recomendável).

Atentando ao fato de que você também terá que possuir uma licença do Windows, bem como uma licença do próprio VMWare (sim, a brincadeira pode sair cara). Sim, existem outros Virtualizadores, inclusive gratuitos, como o QEMU ou o Bochs, mas o principal motivo de estarmos utilizando o VMWare Workstation é porque ele é o único (até o momento) que oferece suporte à 3D no Windows como sistema convidado (ainda que experimental), que é o que nos interessa.

Para utiliza-lo, você pode fazer o download da versão de demonstração de 30 dias.

A instalação dele é bem simples, bastando descompactar o arquivo de instalação e executar o arquivo vmware-config.pl como root. Em seguida, faça uma instalação padrão do Windows 2000 ou XP dentro do VMWare (Windows 98 e anteriores não funcionarão por não terem drivers do VMWare para 3D).  Não vou entrar em detalhes da utilização do mesmo, até porque ela é extreamemente simples e existe documentação e tutoriais a vontade por ai.

Acredito que até aqui não exista novidade para a grande parte de vocês, mas o grande pulo do gato acontece após a instalação.

Terminada a instalação, desligue a máquina virtual.

Abra o arquivo .VMX da máquina virtual com o seu editor favorito (como o Kwrite) e adicione as seguintes linhas:

mks.enable3d = TRUE
vga.vramSize = 67108864
mmouse.present = FALSE

Desta forma, o VMWare estará configurado para a execução de aplicativos 3D dentro de seu sistema convidado (no caso, o Windows).

Após isso, reinicie a máquina virtual, e instale os drivers do VMWare no Windows, através da menu VM, Install VMware Tools. Após outro reboot (é Windows :), realize a instalação do DirectX 9 .

Depois de mais um reboot, agora sim sua máquina virtual estará pronta para rodar boa parte dos jogos Windows disponíveis, tudo isso dentro do Linux, sem reboot, sem dual boot.

Avaliação Geral:

Vantagens:  

  • Roda com perfeição a maior parte dos jogos disponíveis para Windows.
Desvantagens:
  • Requer uma instalação virtual do Windows, bem como sua respectiva licença.
  • Requer uma máquina parruda, com uma boa quantidade de RAM.
  • Até o momento, o video 3D do VMWare emula apenas até 64MB de vídeo, portanto, jogos que requeiram uma quantidade maior do que isso não irão funcionar. (Talvez em próximas versões?)

9. Método(?) 5 - Demais Alternativas

Bom, se você chegou até essa parte e ainda não conseguiu fazer aquele jogo que é a sua razão de viver rodar no Linux, ainda existe uma luz no fim do túnel. Felizmente existe uma quantidade muito grande de jogos Open Source, de boa qualidade, nativos para Linux, que podem eventualmente "substituir" titulos comerciais famosos.

Um ótimo exemplo é o Enemy Territory, um ótimo FPS (First Person Shooter) que não deixa nada a dever para o Quake ou o Doom. Ah sim, e é gratuíto.

Outro exemplo que vale a pena ser citado é o LinCity-NG, um clone do Sim City que chega a ser melhor que o original.

Confira uma lista completa (ou quase) em http://happypenguin.org.

Dedicando um tempinho à procura, você pode muito bem encontrar algo parecido com o jogo comercial que anseia.

Existe também uma gama enorme de emuladores para os mais diversos sistemas para Linux. Só não joga no pinguim quem não quer!


10. Considerações Finais

Como já havia mencionado anteriormente, não existe mágica, não existe solução perfeita. Cada uma tem seus prós e contras e fica ao cargo do leitor decidir qual a melhor.

Apesar de suas constantes evoluções, nenhum dos métodos apresentados (com exceção do 1º) é uma solução definitiva para a falta da disponibilidade de grandes títulos comerciais atualmente existentes somente para o Windows, e nem sequer poderiam vir a ser considerados como tal.

Vou lembrar rapidamente um pouco da história do OS/2, o sistema operacional da IBM que surgiu antes do Windows 95, e deveria ser o padrão de mercado hoje em dia. Em meados dos anos 80, a IBM lançou o OS/2, um sistema revolucionário de 32bits, que podia não apenas executar seus próprios programas, mas também os programas existentes do MS-DOS (padrão na época) e do então tímido Windows 3.1, e ainda mais, executando-os melhor (mais rapidamente, mais eficientemente) do que o próprio Windows! Apesar de parecer com uma grande vantagem, foi justamente o que o enfadou a morte. Os desenvolvedores de aplicações, conhecendo isso, evitaram criar programas para o OS/2 e para Windows. Como o próprio OS/2 executava programas Windows, era desnecessário o gasto adicional em criar uma versão para OS/2. Somente versões Windows eram criadas porque funcionaram em qualquer um dos dois ambientes. Extinguiu-se a necessidade de desenvolver aplicações OS/2 e então Windows se tornou padrão de mercado. Foi aí que anos depois, surgiu o Windows 95. Aproveitando-se do padrão imposto, criou-se uma nova API, a API Win32, que o OS/2 já não poderia mais executar. Seguindo o padrão de mercado, os desenvolvedores passaram a criar programas para Windows que então, não rodavam mais no OS/2.

Depois disso o número de usuários de OS/2 caiu muito até praticamente se tornarem nulos.

A questão é, o mesmo pode ocorrer com os jogos, no atual cenário Windows x Linux. A Microsoft já anunciou a retirada do suporte do OpenGL em sua próxima versão do Windows, o Vista. Dessa forma, mesmo um jogo que utilizava OpenGL e era facilmente portado para Linux por conta disso (Como o Quake 3), teria que ser totalmente reescrito para rodar no tanto no Linux como Windows, tornando o processo inviável para os usuários Linux. Por isso que se deve ter cautela ao usar tecnologias como o Cedega ou Wine. Elas ofuscam que você é um usuário Linux. Ofuscam a GRANDE quantidades de usuários Linux que estão comprando produtos como se fossem usuários de Windows.

Minha dica: SEMPRE QUE COMPRAR UM JOGO, SOLICITE TAMBÉM UMA VERSÃO LINUX. Mesmo que ela não exista. Vai demonstrar que existe o mercado para jogos, que existe a procura.

Espero que tenha ajudado ao menos um dual-boot sumir :)

Fique a vontade em relatar sua experiência ou dúvidas através de meu email: Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo


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Comentários
Pesquisar
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Mga1993   |200.233.54.xxx |2008-04-19 19:17:40
eu quando escrevo winecfg
aparece o vinho como se fosse abrir
mas nao abre
e
dps para
tipo
nao abre nada de janela de wine nem nada
so carrega e dps fexa -.-
pinguim   |SAdministrator |2008-04-20 19:14:38
Mga1993,

Recomendo criar um tópico na comunidade Linux Brasil e postar, também,
a mensagem de erro do winecfg.


[]s
setlec  - um pequeno add-on pro wine   |189.25.76.xxx |2008-05-18 17:40:27
bom falta ums detalhes neste tutorial...

installa wine-doors (no ubuntu e no
mandriva tem no repositors, demais distrib não sei), uma vez installado abre o
wine-doors e seleciona os seguintes pacotes:
Visual C++ runtime libraries 6
All
fonts available
Common Controls 5
DCOM 98
Microsoft Jet 4
Microsoft Foundation
Classes 4
MSXML 4
DirectX9
Internet Explorer 6
Windows Scripting Host 5
Windows
Installer 2
Visual Basic Common Controls 6
Visual Basic Runtime Libraries
5
Visual Basic Runtime Libraries 6

Aviso: deixe o wine-doors fazer a
installação automaticamente não toque em nada... se der algum problema com um
dos pacotes re-installa de novo. depois copia o diretorio do jogo no wine
(~/.wine/drive_c/Program\ Files/"diretorio do JOGO")

E bom jogo!!!
Weslly   |Author |2008-05-23 12:14:26
Na minha opinião o melhor a fazer é encontrar jogos nativos, Unreal Tournament
por exemplo é uma ótima opção.
resende  - Counter Strike   |189.68.184.xxx |2008-05-23 20:10:07
Alguns amigos jogam counter strike e de tanto falarem resolvi
experimentar.
Consegui rodar o steam no gentoo (64bits) comprei e instalei o CS,
entretanto dava erro na inicialização do CS, apesar do steam rodar
corretamente.
Depois disto tentei em uma distribuição Kubuntu de 32bits e rodou
sem problemas!
felipeborges   |201.89.190.xxx |2008-06-16 12:46:38
Gostei muito! Pode ter certeza que agora temos menos 1 dual-boot.

Obrigado!
ótimo Guia!

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